{"id":6156,"date":"2014-11-28T00:00:00","date_gmt":"2014-11-28T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cecubogroup.com\/?p=6156"},"modified":"2021-04-05T16:38:11","modified_gmt":"2021-04-05T16:38:11","slug":"laicismo-e-relixiosidade-duas-caras-da-modernidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cecubogroup.com\/pt\/blog\/laicismo-e-relixiosidade-duas-caras-da-modernidade\/","title":{"rendered":"LAICISMO E RELIGIOSIDADE: DUAS FACES DA MODERNIDADE"},"content":{"rendered":"<p>Outra fun\u00e7\u00e3o (magistralmente abordada por Pierre Bordiou<em><strong><a href=\"http:\/\/www.cecubo.org\/2014\/11\/a-lxs-companerxs-del-ateneo-republicano-de-valdeorras-por-tantas-cosas-que-tengo-que-agradecerles\/#_ftn1\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" title=\"\">[1]<\/a><\/strong><\/em>) \u00e9 a capacidade da religi\u00e3o de naturalizar as rela\u00e7\u00f5es sociais existentes como uma tradu\u00e7\u00e3o do plano m\u00edstico para o terreno; ou seja, de legitimar uma dada ordem social com base nos des\u00edgnios (ou desejos) desse(s) ser(es). Esta quest\u00e3o carrega implicitamente uma importante carga de \"imutabilidade\" e faz da religi\u00e3o, e das suas consequentes legitima\u00e7\u00f5es, um fator de <em>facto estrutural, estruturado e estruturante.<\/em><\/p>\n<\/p>\n<p>Sem entrar em pormenores, \u00e9 evidente que a ci\u00eancia e o empirismo foram ganhando terreno no campo das \"explica\u00e7\u00f5es socialmente aceites\". Estamos a lidar tamb\u00e9m com uma dimens\u00e3o ideol\u00f3gica importante: a religi\u00e3o perde o monop\u00f3lio da constru\u00e7\u00e3o de um discurso simb\u00f3lico e, por extens\u00e3o, da oferta de uma narrativa que lhe permite sustentar-se atrav\u00e9s do medo (como fundamento da religi\u00e3o)<em><strong><a href=\"http:\/\/www.cecubo.org\/2014\/11\/a-lxs-companerxs-del-ateneo-republicano-de-valdeorras-por-tantas-cosas-que-tengo-que-agradecerles\/#_ftn1\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" title=\"\">[2]<\/a><\/strong><\/em> institui\u00e7\u00f5es sociais tal como est\u00e3o configuradas.<\/p>\n<p>Simplificando, a oposi\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o e ci\u00eancia, e a luta pelo relato \"cred\u00edvel\", \u00e9 impulsionada por uma conce\u00e7\u00e3o que tem implica\u00e7\u00f5es a dois n\u00edveis: o transcendente (a exist\u00eancia de uma ordem anterior, superior e incognosc\u00edvel para a esp\u00e9cie humana); o terrestre, em que se d\u00e1 a cristaliza\u00e7\u00e3o material dos privil\u00e9gios de origem divina.<\/p>\n<p>Atualmente, a religi\u00e3o, que era o espa\u00e7o das verdades absolutas e inquestion\u00e1veis, e a ci\u00eancia, onde a d\u00favida e a incerteza pesavam constantemente, mudaram a sua rela\u00e7\u00e3o.<em><strong><a href=\"http:\/\/www.cecubo.org\/2014\/11\/a-lxs-companerxs-del-ateneo-republicano-de-valdeorras-por-tantas-cosas-que-tengo-que-agradecerles\/#_ftn1\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" title=\"\">[3]<\/a><\/strong><\/em>. A ci\u00eancia ataca continuamente os fundamentos da religi\u00e3o, n\u00e3o tanto num esfor\u00e7o expl\u00edcito de deslegitima\u00e7\u00e3o das suas narrativas, mas como um processo indissoci\u00e1vel do seu pr\u00f3prio progresso, minando a capacidade explicativa da religi\u00e3o. Duas realidades se podem deduzir desta perda: por um lado, implica um maior questionamento das ordens religiosas, mas tamb\u00e9m das ordens pol\u00edticas e sociais; por outro lado, implica uma muito menor penetra\u00e7\u00e3o no tecido social, dado que o seu discurso tem cada vez menos profundidade porque j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonte de certezas, pelo que os \"destinat\u00e1rios\" da sua mensagem n\u00e3o t\u00eam essa \"certeza\", mas sim porque j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fonte de certezas. <em>necessidade <\/em>de receber as verdades reveladas, podendo \"alimentar-se\" de realidades comprovadas.<\/p>\n<p>Por assim dizer, a religi\u00e3o est\u00e1 cada vez mais privada da capacidade de desenvolver din\u00e2micas de constru\u00e7\u00e3o do senso comum, principalmente porque, em compara\u00e7\u00e3o com tempos n\u00e3o muito distantes, quando se aceitava que \"...a religi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma religi\u00e3o, mas tamb\u00e9m um modo de vida\".<em>a<\/em> <em>as culturas s\u00e3o, na sua ess\u00eancia, religiosas<\/em>\"<em><strong><a href=\"http:\/\/www.cecubo.org\/2014\/11\/a-lxs-companerxs-del-ateneo-republicano-de-valdeorras-por-tantas-cosas-que-tengo-que-agradecerles\/#_ftn1\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" title=\"\">[4]<\/a><\/strong><\/em>O que \u00e9 realmente significativo \u00e9 que, no cen\u00e1rio contempor\u00e2neo, a religi\u00e3o, que antes abrangia todos os aspectos da vida (da\u00ed a \"sinon\u00edmia\" entre religi\u00e3o e cultura), est\u00e1 cada vez mais confinada a \u00e1reas mais individualizadas, mais \"privadas\", o que encoraja novas formas de religiosidade. Atualmente, a cultura e a religi\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o insepar\u00e1veis, o que conduz a novas formas de resposta e de religiosidade (e tamb\u00e9m de n\u00e3o-religiosidade). Poder\u00edamos dizer, seguindo Roy, que estamos a assistir a uma \"nova formula\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o\".<em>autonomiza\u00e7\u00e3o do religioso em rela\u00e7\u00e3o ao cultural<\/em>\"Esta baseia-se precisamente em formas de religiosidade que devem ser auto-reivindicadas, uma vez que j\u00e1 n\u00e3o fazem parte do substrato inerente \u00e0quilo a que chamamos \"cultura\".<\/p>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Cen\u00e1rio em muta\u00e7\u00e3o, necessidade de seguran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma outra realidade que abre uma abordagem mais heterodoxa do estudo da religi\u00e3o como elemento gerador e\/ou potencializador de identidades: n\u00e3o h\u00e1 apenas antagonismos filos\u00f3ficos ou pr\u00e1ticos entre religi\u00e3o e ci\u00eancia. Os processos hist\u00f3ricos tamb\u00e9m devem ser inclu\u00eddos como elementos indispens\u00e1veis para a reflex\u00e3o sobre novas identidades e a reafirma\u00e7\u00e3o do religioso. Nesse sentido, a evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u00e9 de particular import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Um exemplo claro tem a ver com o mundo isl\u00e2mico: depois do 11 de setembro, muitas pessoas quiseram ver uma religi\u00e3o que era arcaica, tradicional, violenta na sua conce\u00e7\u00e3o e oposta \u00e0 modernidade.<\/p>\n<p>E isso parte de um erro b\u00e1sico, que \u00e9 o de conceber as religi\u00f5es como entidades monol\u00edticas e lineares. Os livros sagrados (todos eles) dizem, no essencial, a mesma coisa desde que s\u00e3o concebidos como tal. O que \u00e9 realmente relevante n\u00e3o \u00e9 o que eles dizem, mas a interpreta\u00e7\u00e3o desses textos por aqueles que acreditam que eles s\u00e3o a palavra divina.<\/p>\n<p>E \u00e9 evidente que esta conce\u00e7\u00e3o se modula e varia ao longo da hist\u00f3ria, nem sempre num desenvolvimento linear, mas que o processo \u00e9 convulsivo, desigual, implosivo e expansivo, etc.<\/p>\n<p>Voltando ao Isl\u00e3o, n\u00e3o foi durante o Califado Om\u00edada de C\u00f3rdova que se desenvolveu uma imensa atividade cultural e cient\u00edfica, que fez florescer a filosofia, o racionalismo, a agricultura, a astronomia, a medicina, etc.? Ser\u00e1 o obscurantismo crist\u00e3o do s\u00e9culo X compar\u00e1vel ao esplendor da cultura andaluza?<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que n\u00e3o. N\u00e3o se trata de defender uma religi\u00e3o em detrimento de outra, trata-se simplesmente de mostrar que a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 linear e que n\u00e3o h\u00e1 quest\u00f5es \"gen\u00e9ticas\" nas religi\u00f5es que as tornem mais violentas. \u00c9 simplesmente que s\u00e3o os sujeitos que moldam e modulam o comportamento religioso. Gostaria de destacar tr\u00eas quest\u00f5es relativas ao Isl\u00e3o que, provavelmente, est\u00e3o nos ant\u00edpodas do que muitas pessoas entendem sobre o Isl\u00e3o:<\/p>\n<p><span style=\"font-size:1rem\">1. os mutazilidas, pensadores racionalistas que questionavam a exist\u00eancia de Deus. Houve tr\u00eas califas desta escola no s\u00e9culo IX;<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size:1rem\">2) Akrabismo, doutrina que defende a igualdade de todas as cren\u00e7as monote\u00edstas;<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size:1rem\">3. o sufismo, corrente m\u00edstica que preconiza a busca do amor e da sabedoria acima de tudo;<\/span><\/p>\n<\/p>\n<p>O que \u00e9 realmente central \u00e9 que as correntes mais radicalizadas que hoje t\u00eam um car\u00e1cter mais vis\u00edvel e medi\u00e1tico n\u00e3o s\u00e3o apenas uma minoria, mas na sua ess\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o de todo fruto de um passado obscuro que se perde no tempo. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o o produto das pr\u00f3prias din\u00e2micas de moderniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aquilo a que John Esposito chama o ressurgimento isl\u00e2mico tem causas que variam de pa\u00eds para pa\u00eds, mas que t\u00eam caracter\u00edsticas semelhantes:<\/p>\n<p><em>1. um sentimento generalizado de fracasso e de perda de identidade em muitas sociedades mu\u00e7ulmanas, <\/em><br \/>\n<em>2. sistemas pol\u00edticos e economias ineficazes,<\/em><br \/>\n<em>3. cidades sobrelotadas com sistemas de prote\u00e7\u00e3o social insuficientes, <\/em><br \/>\n<em>4. elevadas taxas de desemprego, <\/em><br \/>\n<em>5. corrup\u00e7\u00e3o governamental, <\/em><br \/>\n<em>6. um fosso cada vez maior entre ricos e pobres, <\/em><br \/>\n<em>7. a crise dos valores religiosos e sociais tradicionais (...) <\/em><br \/>\n<em>8. a vit\u00f3ria esmagadora de Israel (...) a perda de Jerusal\u00e9m, a terceira cidade santa do Isl\u00e3o<\/em><span style=\"font-size:1rem\">\"<em><strong><a href=\"http:\/\/www.cecubo.org\/2014\/11\/a-lxs-companerxs-del-ateneo-republicano-de-valdeorras-por-tantas-cosas-que-tengo-que-agradecerles\/#_ftn1\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" title=\"\">[5]<\/a><\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<\/p>\n<p>A quest\u00e3o central \u00e9 que este ressurgimento n\u00e3o \u00e9 o resultado de uma ess\u00eancia arcaica e obscura inerente ao Cor\u00e3o, mas sim o resultado de dois processos de moderniza\u00e7\u00e3o: primeiro, a descoloniza\u00e7\u00e3o e, depois, a chegada ao poder de movimentos pan-\u00e1rabes e\/ou \"socialistas\". \u00c9 neste contexto que as condi\u00e7\u00f5es que conduziram \u00e0<em><strong><a href=\"http:\/\/www.cecubo.org\/2014\/11\/a-lxs-companerxs-del-ateneo-republicano-de-valdeorras-por-tantas-cosas-que-tengo-que-agradecerles\/#_ftn1\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" title=\"\">[6]<\/a><\/strong><\/em> esse ressurgimento,<br \/>\n\tque, em muitos casos, leva a uma radicaliza\u00e7\u00e3o dos preceitos. Por outras palavras, \u00e9 a rejei\u00e7\u00e3o de conceitos importados que gera uma resposta no sentido \"fundamentalista\", ou seja, a recupera\u00e7\u00e3o dos valores (idealizados) de um passado glorioso (Meddeb define este conjunto de posi\u00e7\u00f5es como <em>A doen\u00e7a do Isl\u00e3o<em><strong><a href=\"http:\/\/www.cecubo.org\/2014\/11\/a-lxs-companerxs-del-ateneo-republicano-de-valdeorras-por-tantas-cosas-que-tengo-que-agradecerles\/#_ftn1\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" title=\"\">[7]<\/a><\/strong><\/em><\/em>).<\/p>\n<p>Mas esta aproxima\u00e7\u00e3o inicial \u00e0s ideias ocidentais, e subsequente distanciamento, \u00e9 amplificada pela inser\u00e7\u00e3o destes Estados (ou regi\u00f5es) na din\u00e2mica capitalista. Os ref\u00fagios identit\u00e1rios s\u00e3o moldados de muitas maneiras, levando a desconstru\u00e7\u00f5es e forma\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias de muitos tipos diferentes.<\/p>\n<p>O Afeganist\u00e3o que o mundo descobriu em 2001 n\u00e3o tinha nada a ver com a realidade daquele pa\u00eds em grande parte das d\u00e9cadas de 1970 e 1980. E isto n\u00e3o porque o Isl\u00e3o fosse a causa de uma involu\u00e7\u00e3o t\u00e3o acentuada, mas porque era apenas mais uma pe\u00e7a na l\u00f3gica da Guerra Fria: o poder alcan\u00e7ado pelos talib\u00e3s, e o projeto medievalista que encarnam, est\u00e1 diretamente relacionado com as lutas de poder da pol\u00edtica de blocos, e com a subjetiva\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de um pensamento inovador, claramente residual no seio do pensamento e da teologia cor\u00e2nica, mas \"\u00fatil\" como for\u00e7a de choque face \u00e0 URSS.<\/p>\n<\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><strong>O laicismo \u00e9 a \u00fanica express\u00e3o da modernidade?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size:1rem\">H\u00e1 uma opini\u00e3o generalizada de que a modernidade e o progresso servem para corroer a credibilidade da religi\u00e3o, promovendo como consequ\u00eancias l\u00f3gicas uma preemin\u00eancia do secularismo\/ate\u00edsmo\/agnosticismo. No entanto, como j\u00e1 foi alertado, a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 linear, mas inconstante, dependendo das condi\u00e7\u00f5es, e v\u00e1rias quest\u00f5es provocam o ressurgimento de identidades religiosas. Um facto transversal que pode enquadrar todas estas muta\u00e7\u00f5es ou reidentifica\u00e7\u00f5es \u00e9 a globaliza\u00e7\u00e3o capitalista. Curiosamente, na atualidade, as reafirma\u00e7\u00f5es em chave religiosa tendem a ter um car\u00e1cter de \"\u00faltima barricada\", l\u00f3gicas de resist\u00eancia face ao turbilh\u00e3o capitalista.<em><strong><a href=\"http:\/\/www.cecubo.org\/2014\/11\/a-lxs-companerxs-del-ateneo-republicano-de-valdeorras-por-tantas-cosas-que-tengo-que-agradecerles\/#_ftn1\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" title=\"\">[8]<\/a><\/strong><\/em>. A par da invers\u00e3o acima explicitada entre ci\u00eancia e religi\u00e3o, com uma a situar-se no campo das certezas em substitui\u00e7\u00e3o da outra, encontramos tamb\u00e9m uma outra substitui\u00e7\u00e3o que situa a religi\u00e3o como elemento de estabilidade (uma das caracter\u00edsticas da religi\u00e3o \u00e9 o facto de ser, na sua ess\u00eancia, imut\u00e1vel), que resiste \u00e0 perda de preemin\u00eancia do seu universo simb\u00f3lico. \u00c9 importante sublinhar esta ideia da religi\u00e3o entendida como a \u00fanica \u00e2ncora face \u00e0s constantes transforma\u00e7\u00f5es inerentes ao sistema capitalista. A rela\u00e7\u00e3o indissol\u00favel entre modernidade e novas formas de identidade pode ser observada nos seguintes casos:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:1rem\">- Os interesses geoestrat\u00e9gicos dos EUA posicionaram certos pa\u00edses como focos de radicaliza\u00e7\u00e3o religiosa. Para al\u00e9m do que j\u00e1 foi referido a prop\u00f3sito do Afeganist\u00e3o, esta situa\u00e7\u00e3o foi potenciada quer pela manuten\u00e7\u00e3o e apoio (Ar\u00e1bia Saudita) quer pelo derrube (Iraque, L\u00edbia) de determinados regimes, produzindo em ambos os casos uma efervesc\u00eancia religiosa que seria impens\u00e1vel h\u00e1 meio s\u00e9culo atr\u00e1s;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:1rem\">- Nos pa\u00edses ocidentais, a globaliza\u00e7\u00e3o, a l\u00f3gica mercantilista do pr\u00f3prio capitalismo, juntamente com certas pr\u00e1ticas \"libertadoras\" (ou hedonistas) decorrentes do maio de 68, provocaram uma atitude reacion\u00e1ria e o aparecimento de grupos crist\u00e3os fundamentalistas.<em><strong><a href=\"http:\/\/www.cecubo.org\/2014\/11\/a-lxs-companerxs-del-ateneo-republicano-de-valdeorras-por-tantas-cosas-que-tengo-que-agradecerles\/#_ftn1\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" title=\"\">[9]<\/a><\/strong><\/em> (nas suas diferentes denomina\u00e7\u00f5es). Nos \u00faltimos tempos, as tend\u00eancias criacionistas nos EUA est\u00e3o mais impactantes e difundidas do que nunca. O n\u00famero de americanos que acreditam que o universo tem menos de 10.000 anos est\u00e1 a crescer a um ritmo preocupante (segundo alguns estudos, esta percentagem ultrapassa j\u00e1 os 40% nos EUA). As seitas ultra-conservadoras est\u00e3o a ganhar cada vez mais apoio (e influ\u00eancia pol\u00edtica).<em><strong><a href=\"http:\/\/www.cecubo.org\/2014\/11\/a-lxs-companerxs-del-ateneo-republicano-de-valdeorras-por-tantas-cosas-que-tengo-que-agradecerles\/#_ftn1\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" title=\"\">[10]<\/a><\/strong><\/em>). Na Europa, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito diferente. Os cat\u00f3licos, como primeira confiss\u00e3o na Europa continental, procuram cada vez mais influ\u00eancia na esfera pol\u00edtica e, atrav\u00e9s de mobiliza\u00e7\u00f5es, etc., tentam obstruir ou promover elementos legislativos, principalmente numa chave reacion\u00e1ria, derivada do seu objetivo de privar direitos (aborto, casamento homossexual, etc.) a um determinado grupo (mulheres, LGTB, etc.). Esta rea\u00e7\u00e3o deriva do que j\u00e1 discutimos: a separa\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o e cultura, o que n\u00e3o acontecia h\u00e1 50 anos. O facto de a religi\u00e3o n\u00e3o poder ditar as linhas mestras (e as correspondentes recompensas\/puni\u00e7\u00f5es) onde se inscrevem os fen\u00f3menos sociais, saindo dessa zona de conforto onde se inscrevia a sua import\u00e2ncia, incentiva uma posi\u00e7\u00e3o mais ativa e, em certa medida, \"resistente\". Esta \u00e9 a express\u00e3o do facto de o seu papel ser cada vez mais secund\u00e1rio, principalmente porque, antes, n\u00e3o precisava de se afirmar, pois estava interligado com todos os elementos presentes na sociedade. Atualmente, precisa de se tornar vis\u00edvel: mas isso n\u00e3o \u00e9 um sinal de for\u00e7a, \u00e9 um sinal absoluto de fraqueza, ligado ao seu menor peso espec\u00edfico na sociedade.<\/span><\/p>\n<p><strong>- Migra\u00e7\u00e3o<\/strong><span style=\"font-size:1rem\"> oferecem m\u00faltiplos argumentos a favor da tese aqui defendida, porque fornecem indica\u00e7\u00f5es a diferentes n\u00edveis nos pr\u00f3prios pa\u00edses benefici\u00e1rios:<\/span><span style=\"font-size:1rem\">Por um lado, no seio das popula\u00e7\u00f5es de acolhimento, as reac\u00e7\u00f5es aos novos \"vizinhos\" s\u00e3o quase todas reactivas: tanto o aumento do racismo como o crescimento da islamofobia.<em><strong><a href=\"http:\/\/www.cecubo.org\/2014\/11\/a-lxs-companerxs-del-ateneo-republicano-de-valdeorras-por-tantas-cosas-que-tengo-que-agradecerles\/#_ftn1\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" title=\"\">[11]<\/a><\/strong><\/em>As novas formas de identifica\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria que s\u00e3o direta ou indiretamente determinadas por novas formas de religiosidade, como uma maior exig\u00eancia de laicidade por parte do Estado, s\u00e3o novas formas de identifica\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria que s\u00e3o direta ou indiretamente determinadas por novas formas de religiosidade;<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size:1rem\">Por outro lado, nos rec\u00e9m-chegados come\u00e7amos a observar comportamentos verdadeiramente not\u00e1veis a partir da segunda gera\u00e7\u00e3o, onde a religi\u00e3o se distancia totalmente da cultura, dando origem \u00e0 sua expans\u00e3o pelo mundo.<em><strong><a href=\"http:\/\/www.cecubo.org\/2014\/11\/a-lxs-companerxs-del-ateneo-republicano-de-valdeorras-por-tantas-cosas-que-tengo-que-agradecerles\/#_ftn1\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" title=\"\">[12]<\/a><\/strong><\/em>Mas com base em condi\u00e7\u00f5es totalmente diferentes das que existem no seu espa\u00e7o \"original\", fora do seu espa\u00e7o natural. E isto pode exprimir-se de duas formas: pode haver uma radicaliza\u00e7\u00e3o, baseada numa nova forma de rela\u00e7\u00e3o com a religi\u00e3o, imediatamente individual, mas que aparece como colectiva na esfera virtual, provocando uma nova \"comunidade virtual de crentes\", mais propensa \u00e0 inocula\u00e7\u00e3o de doutrinas mais agressivas, mas com muito menos ra\u00edzes e tradi\u00e7\u00e3o no seio da religi\u00e3o; pode haver uma auto-afirma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o sobre-identifica\u00e7\u00e3o (n\u00e3o de forma exclusiva com as anteriores). Esta quest\u00e3o \u00e9 mais espinhosa porque, por exemplo, quando jovens universit\u00e1rias usam um v\u00e9u para ir \u00e0 escola, esse v\u00e9u n\u00e3o representa um elemento de submiss\u00e3o mas, pelo contr\u00e1rio, a encarna\u00e7\u00e3o visual de um processo de auto-identifica\u00e7\u00e3o pessoal numa altura em que cultura e religi\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o significam a mesma coisa. Roy \u00e9 claramente explicativo quando nos diz: \"<\/span><em>O religioso est\u00e1 completamente desligado do cultural, porque n\u00e3o estamos perante um fen\u00f3meno comunit\u00e1rio; pelo contr\u00e1rio, estamos perante a afirma\u00e7\u00e3o muito forte da individualidade. E \u00e9 isso que representa a maior modernidade do fundamentalismo. <\/em><strong><em>Enquanto n\u00e3o se compreender que a ocidentaliza\u00e7\u00e3o ou a globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o significam necessariamente liberalismo no plano religioso, n\u00e3o se compreender\u00e1 o que est\u00e1 a acontecer hoje.<\/em><\/strong><em> Os fen\u00f3menos actuais de fundamentalismo n\u00e3o s\u00e3o a rea\u00e7\u00e3o defensiva de culturas que se sentem atacadas, mas, pelo contr\u00e1rio, a reconstru\u00e7\u00e3o de uma identidade religiosa numa situa\u00e7\u00e3o de afastamento da cultura.<\/em><span style=\"font-size:1rem\">\"<\/span><\/p>\n<p>Por todas estas raz\u00f5es, \u00e9 importante sublinhar que tanto a rejei\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o como a auto-afirma\u00e7\u00e3o da identidade religiosa s\u00e3o dois elementos que se retroalimentam mutuamente. Enganam-se aqueles que acreditam que o progresso avan\u00e7a de forma homog\u00e9nea e que um maior conhecimento conduz diretamente a um menor peso da religi\u00e3o. Isso pode ter algum fundo de verdade, mas n\u00e3o se deve esquecer que a volatilidade e a muta\u00e7\u00e3o da realidade quotidiana obrigam a uma reformula\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da religiosidade (e, por extens\u00e3o, da n\u00e3o-religiosidade). A religi\u00e3o \u00e9, para muitos, a \u00fanica certeza perante cen\u00e1rios em constante muta\u00e7\u00e3o.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Historicamente, uma das fun\u00e7\u00f5es sociais das religi\u00f5es consistia em dar resposta a quest\u00f5es que n\u00e3o tinham resposta em diferentes fases da evolu\u00e7\u00e3o humana. 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