{"id":6197,"date":"2013-07-02T00:00:00","date_gmt":"2013-07-02T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cecubogroup.com\/?p=6197"},"modified":"2021-04-05T16:31:39","modified_gmt":"2021-04-05T16:31:39","slug":"por-que-la-clase-media-es-una-falacia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cecubogroup.com\/pt\/blog\/por-que-la-clase-media-es-una-falacia\/","title":{"rendered":"Porque \u00e9 que a classe m\u00e9dia \u00e9 uma fal\u00e1cia?"},"content":{"rendered":"<p>Escusado ser\u00e1 dizer que tamb\u00e9m j\u00e1 me deixei seduzir por propostas no passado. <em>neo-weberianos<\/em> que tentam explicar que, nas sociedades complexas, o esquema dicot\u00f3mico de classes marxista estava ultrapassado e n\u00e3o era um crit\u00e9rio \u00fatil para analisar (sobretudo) a Europa p\u00f3s-Plano Marshall.<\/p>\n<p>No entanto, a hist\u00f3ria que est\u00e1 a ser escrita pelos povos da Europa de hoje \u00e9 o melhor exemplo do facto de que existe um motor da hist\u00f3ria. E esse motor \u00e9 a luta de classes.<br \/>\nPor isso, nesta entrada, vou tentar ser muito claro: a classe m\u00e9dia (como elemento objetiv\u00e1vel e estanque) n\u00e3o tem qualquer base na praxis.<\/p>\n<p>Inicialmente, o que a no\u00e7\u00e3o de classe m\u00e9dia pressup\u00f5e \u00e9 uma ren\u00fancia expl\u00edcita a ser classificado como classe trabalhadora. Progressivamente, este estatuto foi sendo reservado ao trabalho pouco qualificado, de prefer\u00eancia manual. A maneira de criar esta barreira de diferencia\u00e7\u00e3o de classe foi estabelecer uma nova categoria, sociologicamente indecifr\u00e1vel.<\/p>\n<p>Um facto relevante nesta \"fuga\" do estatuto de classe trabalhadora \u00e9 que este fen\u00f3meno foi paradoxalmente impulsionado pela ascens\u00e3o ao poder dos partidos sociais-democratas, inicialmente no centro e norte da Europa, e posteriormente no resto do continente. A cristaliza\u00e7\u00e3o do Estado-provid\u00eancia baseou-se na terciariza\u00e7\u00e3o e no desenvolvimento do sector dos servi\u00e7os (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, burocracia, presta\u00e7\u00f5es sociais, etc.), que foi ganhando peso em detrimento dos sectores industriais.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso dizer que n\u00e3o se trata de um processo ass\u00e9tico, sem implica\u00e7\u00f5es sociais. Muito pelo contr\u00e1rio: o decl\u00ednio progressivo do sector industrial est\u00e1 largamente ligado \u00e0 tentativa de privar o local de trabalho do seu elemento de uni\u00e3o de classe. Quando Margaret Thatcher lan\u00e7ou a sua luta contra os sindicatos e contra os mineiros, n\u00e3o se tratava apenas de uma quest\u00e3o de ordem p\u00fablica: estava a condenar \u00e0 morte o movimento sindical. No sector industrial, a dial\u00e9tica dos meios de produ\u00e7\u00e3o descrita por Marx \u00e9 encarnada de forma inequ\u00edvoca. A f\u00e1brica foi historicamente o germe do movimento e o local que exemplificou e refor\u00e7ou a consci\u00eancia de classe. Neste esquema, n\u00e3o havia d\u00favidas sobre de que lado se estava. A inten\u00e7\u00e3o de transferir este potencial de protesto para o sector dos servi\u00e7os implica claramente uma aposta na atomiza\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, limitando os la\u00e7os de solidariedade e de perten\u00e7a colectiva. Ou seja: o indiv\u00edduo que trabalha sozinho n\u00e3o desenvolve o mesmo grau de consciencializa\u00e7\u00e3o que desenvolve em ambientes onde converge uma grande massa de trabalhadores. A raz\u00e3o para este facto j\u00e1 foi apontada: a atomiza\u00e7\u00e3o da sociedade e o inerente esbatimento dos la\u00e7os de grupo. A isto juntam-se os processos de reconvers\u00e3o industrial e a deslocaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. Tudo isto nos coloca num cen\u00e1rio que se poderia designar por <em>desproletariza\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cecubo.org\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/quarto_stato.jpg\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\"><img alt=\"ht_5_sesame_street_big_bird_nt_121004_ssh\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1266\" src=\"http:\/\/www.cecubo.org\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/quarto_stato.jpg\" style=\"border-radius:3px; border-style:initial; border-width:0px; box-shadow:rgba(0, 0, 0, 0.2) 0px 1px 4px; display:block; height:auto; margin:0.857143rem auto; max-width:100%; padding:0px; user-select:none; vertical-align:baseline; width:450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma das li\u00e7\u00f5es a tirar \u00e9 que, num momento de crise sist\u00e9mica como o atual, os la\u00e7os entre aqueles que inequivocamente sofrem as consequ\u00eancias do sistema s\u00e3o m\u00ednimos. A estrutura produtiva foi concebida sob esta l\u00f3gica. Tem havido uma desclassifica\u00e7\u00e3o incentivada e promovida que impede o surgimento e a solidifica\u00e7\u00e3o de respostas colectivas. Duas das grandes vit\u00f3rias do capitalismo nesta crise s\u00e3o ter exposto os seus advers\u00e1rios ideol\u00f3gicos, uma vez que n\u00e3o foram postuladas alternativas (o que coloca a esquerda numa situa\u00e7\u00e3o altamente dram\u00e1tica); e ter desintegrado a consci\u00eancia de classe como elemento unificador. \u00c9 preciso n\u00e3o esquecer que uma grande parte da emerg\u00eancia social a que assistimos n\u00e3o tinha qualquer bagagem pol\u00edtica anterior at\u00e9 \u00e0 efervesc\u00eancia da crise. Para o dizer sem rodeios: os idiotas gentrificados que se julgavam da classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 a classe m\u00e9dia? Se me coubesse a mim responder, responderia sem hesitar que \u00e9 a <em>sem classe<\/em>Aqueles que interiorizaram que vivemos em sociedades p\u00f3s-modernas em que o indiv\u00edduo, apoiado nos seus pr\u00f3prios esfor\u00e7os, pode ir t\u00e3o longe quanto queira. Qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0 consci\u00eancia de classe soa-lhes como se fosse uma terminologia do s\u00e9culo XIX, obsoleta e ultrapassada. Repudiam a classe oper\u00e1ria porque uma parte do seu trabalho \u00e9 de natureza \"intelectual\" e aspiram a uma ascens\u00e3o social que s\u00f3 uma pequena parte alcan\u00e7ar\u00e1. Praticamente todos ficar\u00e3o pelo caminho, desejando o luxo pr\u00f3ximo, mas ao mesmo tempo inating\u00edvel.<\/p>\n<p>O que \u00e9 verdadeiramente tr\u00e1gico nesta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o facto de a autodenominada classe m\u00e9dia n\u00e3o se ver como aquilo que realmente \u00e9: trabalhadores que t\u00eam de vender a sua for\u00e7a de trabalho em troca de um sal\u00e1rio. Independentemente de ter mais ou menos qualifica\u00e7\u00f5es e\/ou capacidades de organiza\u00e7\u00e3o (segundo o esquema de Olin Wrigh), o trabalhador n\u00e3o deixa de oferecer trabalho do qual se extrai mais-valia. Este facto exigiria uma <em>deslocaliza\u00e7\u00e3o<\/em> no corpo social, e o seu regresso ao seu lugar natural, ou seja, a classe oper\u00e1ria. Mas esta constru\u00e7\u00e3o artificial chamada classe m\u00e9dia impregnou-se e imbricou-se perenemente no imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 realmente curioso \u00e9 que a burguesia capitalista, por outro lado, est\u00e1 perfeitamente consciente da dicotomia existente. N\u00e3o foram Zizek, Badiou, Negri ou Ch\u00e1vez que mais promoveram e deram notoriedade ao conceito de luta de classes nos \u00faltimos anos. Foi Warren Buffet, um dos homens mais ricos do mundo, que declarou inequivocamente que \u00e9 claro que existe luta de classes e que a sua estava a ganhar. \u00c9 muito tentador apontar para a frase de Marx: primeiro como trag\u00e9dia, depois como farsa. \u00c9 uma trag\u00e9dia vivermos na confus\u00e3o; \u00e9 uma piada macabra o facto de o nosso inimigo saber que estamos confusos.<\/p>\n<p>Mas mesmo este discurso sobre o antagonismo de classes, considerado ultrapassado, pode ser explicado \u00e0 luz dos conceitos e paradigmas do s\u00e9culo XXI. Nunca na hist\u00f3ria houve tanto dinheiro a circular, mas ao mesmo tempo h\u00e1 um empobrecimento generalizado.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria uma quest\u00e3o capital perguntar se \u00e9 mais do que mera coincid\u00eancia o facto de se tratar de uma verdadeira causalidade? \u00c9 evidente que os dois processos s\u00e3o insepar\u00e1veis. A pauperiza\u00e7\u00e3o anda de m\u00e3os dadas com a voracidade acumuladora das elites. No m\u00eas passado, duas not\u00edcias mostraram as duas faces da mesma moeda: uma reportagem de <a href=\"http:\/\/www.unicef.es\/sites\/www.unicef.es\/files\/Bienestarinfantil_UNICEF.pdf\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Unicef<\/strong><\/a>declarou que \"Mais de 2.200.000 crian\u00e7as est\u00e3o abaixo do limiar de pobreza no nosso pa\u00eds, e o seu n\u00famero aumentou mais de 10% durante a crise\"; por outro lado, o <em>Relat\u00f3rio Anual sobre a Riqueza Mundial<\/em> constatou que o n\u00famero de pessoas ricas em Espanha aumentou 5,4%, o que demonstra que esta crise econ\u00f3mica est\u00e1 a revelar-se uma excelente sa\u00edda para os investidores que est\u00e3o a fazer as coisas bem.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 realmente poss\u00edvel estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o entre os dois fen\u00f3menos? Vou propor uma pergunta simples para responder. No Estado espanhol, as desigualdades est\u00e3o a aumentar a olhos vistos. Os grandes capitalistas aumentam os seus lucros, ao mesmo tempo que o n\u00famero de desempregados aumenta. Neste cen\u00e1rio, a burguesia culpa a falta de competitividade e a rigidez laboral pela situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. A solu\u00e7\u00e3o: uma reforma laboral que facilite o despedimento de trabalhadores. O que o desemprego sempre significou \u00e9 um elemento de viol\u00eancia sist\u00e9mica contra os trabalhadores, um mecanismo para disciplinar as massas trabalhadoras. Onde est\u00e1 a diferen\u00e7a entre um trabalhador desempregado e um licenciado com dois mestrados a competir por empregos com a mesma remunera\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1 que neste cen\u00e1rio h\u00e1 mesmo d\u00favidas de que a classe m\u00e9dia n\u00e3o passa de uma classe trabalhadora enganada por fal\u00e1cias? <em>p\u00f3s-ideol\u00f3gico<\/em>?<\/p>\n<p>Analisado de um ponto de vista mais t\u00e9cnico, se o antagonismo de classes baseado na propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente para muitos para explicar a situa\u00e7\u00e3o atual, vamos coloc\u00e1-lo de outra forma. Existe um indicador claro da posi\u00e7\u00e3o de cada um no espetro social. Este indicador baseia-se na natureza da principal fonte de rendimento, ou seja, se o rendimento prov\u00e9m do capital ou do trabalho. Aqueles que podem viver do rendimento associado \u00e0s rendas do capital, conformam-se e autopropagam-se como classe capitalista. Aqueles de n\u00f3s que s\u00f3 podem vender a sua forma de trabalho e, com base nisso, obter o seu rendimento, s\u00e3o a classe trabalhadora. \u00c9 t\u00e3o simples quanto isso. Al\u00e9m disso, um outro elemento de classe que n\u00e3o \u00e9 suficientemente salientado \u00e9 o quadro fiscal existente, em que, objetivamente, as grandes fortunas suportam um <strong><a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2011\/08\/15\/opinion\/stop-coddling-the-super-rich.html\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline; outline: none; color: rgb(51, 51, 51); text-decoration-line: none;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">adjetivamente, menor carga fiscal<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>Perguntaria \u00e0queles que se consideram da classe m\u00e9dia de onde retiram os seus rendimentos. E perguntar-lhes-ia se a desvaloriza\u00e7\u00e3o geral compensou, agora que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es iminentes para os problemas que nos afligem. Talvez, talvez, seja porque, habituados \u00e0 letargia, procuram solu\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias para problemas estruturais. H\u00e1 muitos que continuam a pensar que o problema se resolve com remendos. Esta perda de consci\u00eancia impede-os de ver que a crise (todas as crises) \u00e9 uma consequ\u00eancia do funcionamento normal do capitalismo. E, entretanto, como diz a Riot Propaganda: \"a classe oper\u00e1ria geme, a burguesia ri-se\".<\/p>\n<p>Um \u00faltimo fator a assinalar, de infinita transcend\u00eancia, \u00e9 que sempre se disse que a classe m\u00e9dia era o suporte da democracia. E isso explica muitas coisas: um elemento artificial \u00e9 o motor de um conceito que \u00e9 uma mentira. \u00c9 por isso que estamos onde estamos: os trabalhadores que se consideravam potencialmente ricos s\u00e3o os mesmos escravos que pensavam que o seu voto quadrienal era o fator decisivo.<\/p>\n<p>Chegou o momento de fazer explodir todo o universo concetual existente e redefinir os alinhamentos de classe. E que ningu\u00e9m se esque\u00e7a disso:<\/p>\n<p><em>\"Toda a hist\u00f3ria da sociedade humana, at\u00e9 hoje, \u00e9 uma hist\u00f3ria de luta de classes\".<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira coisa que vou fazer hoje \u00e9 avisar que a sociologia n\u00e3o \u00e9 o meu forte e que, provavelmente, se algu\u00e9m ligado a esta disciplina ler isto, \u00e9 bem poss\u00edvel que n\u00e3o concorde com muitas coisas. Gostaria tamb\u00e9m de referir, para n\u00e3o ser pouco habitual, que \u00e9 essa a inten\u00e7\u00e3o.<\/p>","protected":false},"author":4,"featured_media":6452,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":""},"categories":[1],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v16.7 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u00bfPor qu\u00e9 la clase media es una falacia? - Cecubo Group<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.cecubogroup.com\/pt\/blog\/por-que-la-clase-media-es-una-falacia\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u00bfPor qu\u00e9 la clase media es una falacia? - Cecubo Group\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Lo primero que voy a hacer hoy es avisar de que la sociolog\u00eda no es mi fuerte y que probablemente, si alguien ligado a esta disciplina lee esto, es muy posible que no comparta muchas cosas. 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